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Hugo Vitti amplia horizontes entre Goiás, Londres e um novo momento na música

Hugo Vitti | Créditos: João Carlos

Às vésperas de uma imersão na Musical Con, em Londres, cantor prepara o álbum “Plural”, com participação de Jorge Vercillo, e mira novos palcos sem deixar para trás suas raízes goianas

Hugo Vitti escolhe uma palavra para definir o momento que vive: expansão. Com uma agenda que passa por diferentes cidades de Goiás, uma imersão internacional marcada para outubro, em Londres, e um novo álbum em produção, o cantor começa a desenhar uma nova etapa da carreira.

Não se trata, porém, de abandonar o caminho percorrido até aqui. Pelo contrário. É justamente a experiência acumulada nos palcos, na direção musical, na composição e na interpretação que Hugo aponta como base para buscar novos espaços.

Em outubro, o artista participa da Musical Con 2026, em Londres. A passagem pela capital inglesa terá também caráter de pesquisa. Hugo pretende acompanhar de perto processos ligados ao teatro musical, preparação vocal, interpretação, construção de personagens, movimento e direção. A intenção é trazer parte desse repertório para os projetos que desenvolve no Brasil.

Ao mesmo tempo, Goiás permanece no centro dessa trajetória. É daqui que ele pretende partir para ampliar sua presença nacional e buscar novos públicos.

Outro movimento importante dessa fase é “Plural”, álbum previsto para 2027, com 12 faixas inéditas e participação de Jorge Vercillo. O próprio título dá pistas sobre o artista que Hugo pretende apresentar: menos preocupado em caber em uma definição e mais disposto a assumir as diferentes referências que construíram sua identidade musical.

Em entrevista à Revista Fluxo, Hugo Vitti fala sobre Londres, Goiás, “Plural”, o encontro com Jorge Vercillo e a ambição de levar sua música a novos palcos.

Você chega a este segundo semestre com uma agenda intensa em Goiás, um novo álbum em produção e uma experiência internacional em Londres. Você considera que está vivendo uma virada ou uma expansão na sua carreira?

Expansão é a palavra mais correta. E ela vem muito da maturidade de quem já caminhou, experimentou, acertou, errou e, principalmente, aprendeu ao longo desse percurso. Hoje tenho uma compreensão mais profunda sobre a música, sobre o palco e também sobre quem sou como artista.

Consigo reunir coisas que antes aconteciam separadamente: o intérprete, o compositor, o diretor musical e a minha relação com o palco. Talvez a grande diferença deste momento seja me sentir mais preparado para enxergar e buscar perspectivas que vão além das que vivi até aqui.

Londres e o novo álbum fazem parte desse movimento. Não como pontos de chegada, mas como possibilidades de ampliar caminhos e descobrir até onde a minha música pode chegar.

Em outubro, você participa da Musical Con 2026, em Londres, com uma proposta também de pesquisa e imersão. O que você vai buscar artisticamente nessa experiência e o que espera trazer de volta para os seus projetos?

Tenho uma paixão muito grande por musicais e, ao longo da minha trajetória, conviver e trabalhar com grandes artistas ampliou muito o meu olhar sobre o palco e sobre a importância de buscar sempre novas referências.

Isso também está muito presente no “Natal de Encantos”, que chega à nona edição e que dirijo desde a criação, em 2018. A cada ano, existe o desafio de elevar a qualidade e entregar algo diferente e relevante para o público goiano.

Londres vem justamente para impulsionar esse processo. A Musical Con reúne alguns dos principais artistas e profissionais do teatro musical londrino, com performances, painéis, workshops e masterclasses.

Quero observar de perto processos de preparação vocal, interpretação, construção de personagem e a integração entre música, movimento e direção. Mais do que buscar referências estéticas, quero entender como grandes produções constroem experiências que realmente envolvem o público.

A ideia é voltar com esse olhar ampliado e transformar esses aprendizados em novas possibilidades para os projetos que desenvolvo aqui.

Hugo Vitti | Crédito: João Carlos

Você busca referências fora do país, mas mantém Goiás muito presente na sua trajetória e na sua agenda. É possível construir uma carreira com projeção nacional e internacional sem perder essa identidade?

Eu acredito que sim e talvez seja justamente a identidade que permita essa projeção. Sou goiano, comecei minha trajetória aqui e grande parte da minha formação artística aconteceu nos palcos de Goiás. É um Estado que me acolheu, me deu oportunidades e onde pude construir muito do que sou como artista.

Com o tempo, também senti a necessidade de retribuir isso, fomentando novos talentos, abrindo espaços e criando oportunidades para outros artistas. Ver pessoas crescendo e encontrando caminhos a partir de projetos que ajudei a construir é algo que me realiza muito.

Não vejo Goiás como uma limitação geográfica, mas como meu ponto de partida e um lugar ao qual também quero devolver parte do que recebi. Quero circular, conhecer outros mercados e dialogar com novas referências sem precisar criar um personagem para isso.

“Crescer, para mim, não significa deixar Goiás para trás, mas levar comigo o que construí aqui e, sempre que possível, trazer novas possibilidades de volta.”

Crédito: João Carlos

Seu próximo álbum se chama “Plural” e terá 12 faixas inéditas. O que esse nome diz sobre o artista que você é hoje e sobre o Hugo Vitti que vamos encontrar nesse novo trabalho?

“Plural” nasce de uma compreensão que só a trajetória traz. Depois de tantos anos de música, palcos, encontros e experiências, entendi que minha identidade não está em escolher uma única linguagem, mas em reconhecer tudo o que me formou e ter maturidade para transformar essas referências em algo que seja verdadeiramente meu.

O público vai encontrar um Hugo mais livre e consciente artisticamente, mas com o mesmo compromisso de sempre com a qualidade. É um álbum gravado em São Paulo, cercado por profissionais de excelência e com uma produção muito cuidadosa, tanto musical quanto tecnicamente. Quero que essa maturidade também apareça na interpretação, nos arranjos e na performance vocal.

As 12 faixas transitam por diferentes linguagens e estilos, mas existe uma identidade que as conecta. E talvez esse seja o sentido mais profundo de “Plural”: não fazer música para caber em uma definição, mas permitir que diferentes pessoas encontrem, em diferentes canções, alguma coisa que dialogue com suas próprias histórias e emoções.

O álbum terá uma participação de Jorge Vercillo. Como nasceu essa parceria e o que esse encontro representa para você?

O Jorge é uma das grandes referências da minha trajetória. Sempre admirei a poesia das composições, a musicalidade e, principalmente, a verdade que ele consegue imprimir tanto no que escreve quanto no que interpreta.

É um artista que consegue unir sofisticação e sensibilidade sem criar distância de quem escuta e isso sempre me inspirou muito.

Por isso, tê-lo em “Plural” ultrapassa a ideia de uma participação especial. É o encontro com alguém que, de alguma forma, também ajudou a formar o meu olhar sobre música.

E houve um momento que guardo com muito carinho: ouvir diretamente dele que o resultado havia ficado muito bom. Receber esse reconhecimento de uma referência da minha própria caminhada foi um privilégio e uma realização pessoal. Deu ainda mais sentido a esse encontro.

Crédito: João Carlos

Depois de Londres, de uma temporada intensa de apresentações e com “Plural” previsto para 2027, qual é o próximo lugar que Hugo Vitti quer ocupar na música?

Quero ampliar minha presença nacional, fazer minha música circular mais e chegar a novos palcos e públicos. Mas sempre enxerguei sucesso para além de alcance ou visibilidade. Para mim, ele está na possibilidade de entregar uma arte com qualidade, verdade e identidade, e perceber que aquilo que faço encontra ressonância nas pessoas.

Quero que “Plural” abra novos caminhos e apresente ao Brasil, com mais amplitude, o artista que construí até aqui. Quero crescer de forma consistente, preservar a liberdade de fazer escolhas que tenham sentido para mim e deixar uma contribuição que tenha identidade no cenário musical.

Mais do que simplesmente ocupar um espaço, quero construir uma trajetória reconhecível pelo que ela entrega. Se a minha música puder alcançar cada vez mais pessoas sem perder aquilo que a torna minha, esse é o lugar que quero conquistar.

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