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Kléber Alves, entre as raízes do teatro e os novos voos no cinema

Kléber Alves | Foto: Divulgação

Ator, diretor e preparador de elenco, o goiano fala à Fluxo sobre a construção da carreira, personagens marcantes, sua relação com Goiás e a preparação para ampliar sua presença no audiovisual nacional.

A relação de Kléber Alves com a arte começou cedo. Aos 10 anos, o teatro surgiu como uma forma de vencer a timidez, mas acabou provocando transformações que definiriam seu caminho profissional. Antes de assumir definitivamente a arte como profissão, ele ainda passou pelo meio corporativo e pelas vendas, até perceber que, mesmo tendo encontrado espaço em outras áreas, algo continuava faltando.

Foi essa inquietação que o levou de volta ao lugar onde havia começado ainda criança. A trajetória construída em Goiás atravessa o teatro e o audiovisual e hoje também se desdobra na direção e na preparação de elenco. Mais do que o endereço de sua carreira, o estado aparece em sua fala como parte da própria identidade artística.

Kléber Alves | Foto: Divulgação

Entre os personagens que marcaram esse percurso estão Hamlet, Jesus e Riobaldo. A experiência com o protagonista de Guimarães Rosa exigiu preparação vocal e corporal, além de uma imersão no universo do sertão, e rendeu a Kléber o prêmio de Melhor Ator no FENATA.

No momento, o artista integra o elenco de Família Pitanga, espetáculo aprovado pela Lei Rouanet, com patrocínio do Sicoob, que aborda com humor o consumismo e o endividamento familiar. O convite surgiu após Kléber ser visto em cena em outro projeto, O Jogo da Virada.

Enquanto mantém sua relação com os palcos, Kléber direciona cada vez mais sua preparação ao audiovisual, com estudos, cursos e mentorias voltados a uma interpretação mais intimista. O cinema nacional aparece, agora, como um dos próximos horizontes de sua trajetória.

Em entrevista à Fluxo, Kléber Alves revisita escolhas, personagens e aprendizados, fala sobre suas raízes e revela o que ainda o movimenta depois de anos dedicados a contar histórias.

Você começou sua relação com a arte ainda muito jovem. Em que momento percebeu que atuar não seria apenas uma paixão, mas a profissão que queria seguir?

Percebi que a arte deveria ser a minha profissão quando me vi infeliz fazendo outras coisas. Iniciei no teatro aos 10 anos, com o objetivo apenas de perder a timidez, mas o teatro provocou em mim mudanças profundas.

Já adulto, cedi à pressão da minha família e tentei outras áreas. Fui para o meio corporativo, para vendas, me dei bem até, mas sempre soube que faltava algo. E foi essa inquietação que me fez ter coragem de romper toda expectativa social projetada sobre mim.

Sua carreira foi construída em Goiás, passando pelo teatro, cinema e audiovisual. O que essa trajetória fora dos grandes centros trouxe para a sua formação como ator?

Construir a minha carreira em Goiás trouxe para a minha formação como ator identidade, base e raiz. Sou literalmente apaixonado pelo meu povo, pelo jeitinho que é só nosso.

Hamlet, Riobaldo e Jesus estão entre personagens muito diferentes que você já interpretou. Qual deles mais exigiu de você e qual permaneceu com você depois que o trabalho terminou?

Hamlet, Riobaldo e Jesus foram os personagens que mais me desafiaram como ator, cada um com sua complexidade, objetivos e especificidades diferentes.

Mas interpretar o Riobaldo, de Guimarães Rosa… Uau! Foi uma megaempreitada. Eu era bem jovem quando recebi esse presente e, de certa forma, ainda imaturo para algo tão grande. Lembro que, por muito tempo, durante todo o processo, estudar Guimarães Rosa e entender esse personagem, trazendo potencialidade e camadas, foi algo que me deixou obcecado.

Tive preparação vocal, corporal, fizemos uma imersão no universo do sertão. E até hoje guardo com muito amor tudo o que vivi com esse espetáculo.

Porém, assim que a temporada termina, precisamos abrir espaço para novos desafios. A única coisa que fica do personagem anterior é o aprendizado, a gratidão e o carinho.

Foto: Divulgação

A interpretação de Riobaldo lhe rendeu o prêmio de Melhor Ator no FENATA. O que esse reconhecimento mudou na sua carreira e na maneira como você passou a enxergar o próprio trabalho?

O prêmio de Melhor Ator no FENATA foi uma das maiores alegrias que tive na vida como ator. Para mim, representou o reconhecimento de um trabalho tão árduo e, ao mesmo tempo, prazeroso. Fez-me entender o quão impactante e profunda é a entrega de um ator.

Agora você está em cena com Família Pitanga. Como esse espetáculo chegou até você e o que ele representa neste momento da sua trajetória?

Família Pitanga é um espetáculo aprovado pela Lei Rouanet, com patrocínio do Sicoob. Conta a história de uma família que entra em um mar de dívidas devido ao consumismo exagerado. É uma história bem-humorada e divertida.

Recebi o convite para integrar o elenco devido a outro projeto que estava em circulação, O Jogo da Virada. Me viram em cena e me chamaram para integrar esse projeto.

Você também vem construindo uma presença no cinema e em séries. O audiovisual é um caminho que pretende explorar cada vez mais nos próximos anos?

O audiovisual é algo que tem ganhado o meu coração cada vez mais. Tenho feito uma transição bem madura da interpretação teatral para uma interpretação mais intimista, com bastante estudo, cursos e mentorias.

Depois de tantos personagens e experiências, o que ainda provoca você como ator? Existe um papel, uma história ou um lugar profissional que você ainda deseja alcançar?

Cada personagem é um mergulho em um universo desconhecido. Isso sempre me tira da zona de conforto. Contar boas histórias é o meu trabalho como ator. Tenho me preparado cada vez mais para alcançar voos no cinema nacional.

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