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Quanto mais tecnologia, mais humano precisa ser o líder

Henrique Salvador, presidente do Conselho de Administração da Rede Mater Dei de Saúde, defende uma liderança capaz de conciliar tecnologia, resultados e relações humanas. | Foto: Divulgação

Henrique Salvador, presidente do Conselho de Administração da Rede Mater Dei de Saúde, fala sobre inteligência artificial, gestão de pessoas e os desafios de liderar em um setor cada vez mais complexo

A inteligência artificial já deixou de ser uma discussão sobre futuro para fazer parte da rotina das empresas. Na saúde, esse movimento ganha uma dimensão ainda maior. Ao mesmo tempo em que novas tecnologias ajudam a organizar processos, analisar informações e melhorar a eficiência, as decisões continuam envolvendo pessoas, relações de confiança e situações que exigem sensibilidade.

Para Henrique Moraes Salvador Silva, presidente do Conselho de Administração da Rede Mater Dei de Saúde, esse novo cenário também está mudando o papel das lideranças.

“O papel das lideranças tem se modificado nos últimos anos. O ambiente dos negócios na área da saúde está mais complexo e novas configurações se apresentam”, afirma.

Henrique esteve em Goiânia para uma agenda que reuniu gestão, cultura organizacional e os novos desafios do setor. No Hospital Mater Dei Goiânia, participou do Café com Gentileza, que marcou o lançamento do movimento Somos Gentileza. Também integrou a programação da 2ª Conexão CBEXS Goiás, onde discutiu as competências necessárias para liderar organizações em ambientes cada vez mais complexos.

Na avaliação do executivo, acompanhar as mudanças tecnológicas deixou de ser uma escolha para quem ocupa posições de decisão.

“O líder precisa dominar bem a tecnologia, principalmente a que conecta pessoas e monitora os clientes. Inclusive a inteligência artificial. Ao mesmo tempo, precisa ser um bom captador e desenvolvedor de talentos, cuidar do clima organizacional e manter o foco na obtenção de resultados.”

Essa combinação entre tecnologia e gestão de pessoas aparece com força no setor de saúde. Recursos de inteligência artificial, cirurgia robótica, monitoramento remoto e ferramentas digitais já fazem parte de uma transformação que alcança tanto a assistência ao paciente quanto a administração dos hospitais.

Mas incorporar tecnologia não diminui a importância das relações humanas. Pelo contrário, esse avanço aumenta a responsabilidade das lideranças sobre a forma como as ferramentas são utilizadas e como elas chegam à experiência de pacientes e profissionais.

“É preciso liderar pelo exemplo, ter alinhamento aos valores da organização e um comportamento ético e respeitoso. O líder precisa ser um profundo conhecedor do negócio e das relações humanas”, afirma Henrique.

Crescer sem perder a cultura

A discussão ganha outra dimensão quando aplicada a uma organização do tamanho da Rede Mater Dei de Saúde.

A Rede reúne cerca de 8,5 mil colaboradores com vínculo CLT e aproximadamente 10 mil médicos credenciados. A capacidade total é de aproximadamente 2 mil leitos hospitalares, sendo cerca de 1,2 mil leitos operacionais.

O crescimento exige processos, indicadores e padrões bem definidos, mas também traz um desafio que não aparece necessariamente nas planilhas: fazer com que a cultura da organização acompanhe a expansão.

Fundado em 1980 por José Salvador Silva, conhecido como Dr. Salvador, o Mater Dei passou de uma operação em Belo Horizonte para uma rede presente em diferentes mercados. Atualmente, sete dos nove hospitais possuem acreditação internacional.

As unidades Mater Dei Betim-Contagem, Contorno, Santo Agostinho e Salvador são acreditadas pela Joint Commission International, a JCI. Já os hospitais Mater Dei Santa Clara, Santa Genoveva e Goiânia possuem acreditação Qmentum International.

Os números ajudam a dimensionar a operação. Para Henrique, no entanto, o desenvolvimento de pessoas e a preservação dos valores da organização também precisam acompanhar esse crescimento.

É nesse contexto que surge o movimento Somos Gentileza, lançado no Hospital Mater Dei Goiânia.

A proposta coloca no centro das relações entre colaboradores, corpo clínico, pacientes e familiares atitudes como ouvir, respeitar, acolher e reconhecer o outro. São comportamentos aparentemente simples, mas que interferem diretamente na experiência de quem trabalha e de quem é atendido em uma instituição de saúde.

Em uma organização desse porte, o desafio é fazer com que esses valores sejam percebidos no cotidiano e não permaneçam apenas no discurso institucional.

Para Henrique, essa construção passa necessariamente pelo comportamento de quem lidera. Os valores precisam aparecer nas decisões, nas relações e na maneira como as equipes são conduzidas.

Tecnologia muda. Liderança também.

As transformações não acontecem apenas nas ferramentas utilizadas pelas empresas. O perfil dos profissionais também mudou. Novas gerações chegam ao mercado com outras expectativas sobre carreira, ambiente de trabalho, desenvolvimento e relação com as lideranças.

Esse cenário exige gestores atentos à formação e à retenção de talentos, sem perder de vista a responsabilidade pelos resultados.

Na visão de Henrique, o líder precisa reunir competências que durante muito tempo puderam ser tratadas separadamente. É necessário conhecer profundamente o negócio, acompanhar as transformações tecnológicas, interpretar os cenários político, econômico e social e, ao mesmo tempo, saber desenvolver pessoas.

A inteligência artificial acrescenta novas possibilidades a esse ambiente. Amplia a capacidade de análise, acelera processos e oferece ferramentas cada vez mais sofisticadas para apoiar decisões. Na saúde, porém, qualquer avanço tecnológico precisa conviver com uma característica que permanece essencial: o cuidado acontece entre pessoas.

É nesse equilíbrio que Henrique enxerga parte importante do desafio das novas lideranças. Tecnologia, resultados e eficiência continuarão ganhando espaço, mas ética, respeito, capacidade de ouvir e desenvolvimento de talentos permanecem como competências fundamentais para quem tem a responsabilidade de conduzir uma organização.

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